[E nem tem título aqui]

E eu só tinha me apaixonado uma vez. Ah, sério, tinha muito mais o que fazer do que dar bola para essas coisas. Tinha tanta coisa pra assistir, tanto show, tanto blog, tanto livro pra ler! E as séries, e os gatos e o primo que era irmão. Mas aconteceu. Bom, aconteceu naquelas, me preocupava enquanto não machucasse. Eu não seria dele, ele que seria meu. E um não foi do outro. E tudo saiu de controle. E doeu. Ah, como doeu. Mais que dedinho batendo na quina da porta. E virei a dama de gelo deste baralho.

Fugia de qualquer "eu te amo", entrava em pânico! E lembrava da dor, mesmo que a psicologia diga que é impossível lembrar da dor. Não sei como, mas ela dava uma latejadinha e eu me encolhia... e fugia de novo. E a coisa ia assim, eu confiava tanto em mim que as coisas realmente aconteciam. Terminava uma coisa (ficada, show, passeio) e do nada aparecia alguém, falando do sorriso, da segurança que eu passava, da independência de macaquear por todo o canto. E o ego ia lá em cima! E confiando mais em mim, atraia ainda mais gente.

Então o atual namorado chegou (meu próprio 7 Belo, já que o naipe permite a piada), eu bati o pé, disse que não, fiz birra, chorei, xinguei. E amansei um pouco e coloquei mil condições para não ser machucada. E amansei mais. E me entreguei de vez. Apresentei família e gato (oh, o membro mais importante e que também amou meu 7 Belo logo de primeira). A coisa caminhou como disse a Dama de Espadas, pré-namoro, bilhetinhos, amassos, sexo... o carinho e a proteção. Ah, sim! O abraço dele (que pode não parecer, mas são braços bem durinhos e fortes envolta de mim) virou uma fortaleza, daquelas com poço e jacarés em volta, talvez até crocodilos, ou dragões. Nada me atingia ali. Mas com o tempo aquela fortaleza foi ficando mais frágil, com as correrias, ônibus e provas de faculdade. As coisas começaram a nos atingir, e a estragar a noite, e a tarde, e o acordar juntos. E quando eu precisava sair lá fora e enfrentar os inimigos, eu não consegui mais. Virei uma das mocinhas bobas que eu tanto odiava. Dei uma apagada no reino de Ouros e não confiei mais nada em mim. E deixei de chamar a atenção e o "ego" fez as malas e foi embora. Por fofoca, a insegurança e a dependência vieram bater na porta. Sentaram, pediram algo com bastante cafeína e estão ali ligadas, mode on 24hrs/dia. E eu comecei a destruir minha fortaleza por dentro, que dizem ser o jeito mais eficiente possível.

E chegou a hora de acordar, de arrumar tudo, de aproveitar as oportunidades (que chegaram quando o namoro começou, quando me viram com uma carinha tão feliz e confiante, quando eu aceitei meu corpo, as pessoas e a faculdade) e de desembaralhar. Fica o post publicado aqui. Esperando por notícias do Reino de Ouros.